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13º Congresso Brasileiro do Agronegócio

Um intenso e proveitoso debate sobre as propostas para o agronegócio, que deverão pautar as agendas dos candidatos à Presidência da República, marcou o painel de encerramento do 13º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido em São Paulo, na segunda-feira (4), pela Abag – Associação Brasileira do Agronegócio. “Neste mundo volátil, com vários riscos protecionistas externos, exposição a fatores macroeconômicos e cadeias produtivas em desequilíbrio, é fundamental que o governo se aproxime do agronegócio, que segue sendo a sustentação do país”, resumiu o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, dando o tom do encontro, que reuniu aproximadamente 800 pessoas, entre profissionais e lideranças do setor.

Com a presença de representantes dos três candidatos melhor colocados nas pesquisas eleitorais, o painel que encerrou o Congresso, foi coordenado pelo ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e moderado pelo jornalista William Waack. Participaram do painel: Xico Graziano, representando o candidato Aécio Neves; Odacir Klein, como representante da candidata Dilma Rousseff; e Maurício Rands, representando o candidato Eduardo Campos. Na definição do presidente da Abag, feita logo após a conclusão do painel, “temos de ousar e buscar o novo”. A seu ver essa reflexão deverá “estar presente na campanha política que se abre e será o momento de sentir nos candidatos a prenhez com a semente da inovação e do protagonismo do agronegócio”, afirmou Carvalho.

O debate entre os três representantes dos candidatos girou em torno dos principais temas que dominam a agenda do agronegócio no país. Como era de se esperar, o ponto mais controverso do encontro foi o da questão do etanol, cuja cadeia vive uma enorme crise em decorrência do represamento artificial dos preços dos derivados do petróleo. “Esse caso foi um vexame, pois os empresários atenderam a um pedido do governo federa para investir na ampliação da produção e o resultado é que hoje temos 40 usinas quebradas no país”, afirmou Graziano. No mesmo tom seguiu o representante de Eduardo Campos, o deputado Maurício Rands. Para ele, faltou ouvir de verdade o setor. “Faltou senso de planejamento e de autonomia para as agências reguladoras. Com isso, além das usinas quebradas, há um prejuízo do ponto de vista ambiental, com a diminuição do uso de energia renovável”, comenta Rands.

O representante da candidata Dilma, Odacir Klein fez a defesa do governo, argumentando que a questão do etanol precisa ser analisada dentro do contexto geral da política energética. Outro aspecto que mereceu destaque no debate entre os representantes do candidato foi a da falta de unidade na política agrícola. Nesse aspecto, o consenso, inclusive do representante da candidata Dilma, foi resumido pelo coordenador do painel, ex-ministro Roberto Rodrigues. “O ministério tem um corpo técnico da melhor qualidade. O que falta é coordenação e estratégia. A pasta tem apenas a função de ser executora da estratégia definida”, afirmou.

PRODUTOR TEM DE SER PRESERVADO – O debate com os representantes foi precedido de uma mensagem enviada pelos candidatos e apresentada à plateia. A ideia dos organizadores do evento era que cada um gravasse um vídeo no qual eram respondidas algumas questões. Apenas o candidato Aécio Neves enviou a gravação. Nela, entre outras propostas, ele salientou que a atuação de seu provável futuro governo na área agrícola se baseará na simplificação da vida do produtor. “Para o bem do País, o produtor precisa ser preservado. Para tanto vamos criar uma série de mecanismos, principalmente ligada às áreas de seguro, trabalhista e de segurança jurídica para ele continuar sendo um dos principais responsáveis pelo nosso crescimento”, afirmou Aécio.

Já a candidata Dilma Rousseff foi representada no evento pelo vice-presidente Michel Temer que fez um pronunciamento onde, segundo ele próprio definiu, fez um “relatório” das ações realizadas pelo governo atual no campo da agricultura. “Desde o governo Lula tivemos um forte crescimento do agronegócio no país e isso prossegue também no governo Dilma”, afirmou o vice-presidente. Ele salientou ainda que, graças ao diálogo, foi na atual gestão que se conseguiu aprovar o Código Florestal, pactuado com os produtores rurais.

O candidato Eduardo Campos, por sua vez, foi representado pelo deputado Maurício Rands. Ele garantiu que um eventual governo Campos deverá acelerar a formulação de acordos bilaterais para garantir aumento nas exportações e manterá outro padrão na busca de consensos com as lideranças do setor. “No governo do presidente Eduardo Campos, o coordenador estratégico da área agrícola será o próprio presidente. O governo será marcado por aquele que consegue reunir a elevada capacidade executiva e de gestão, com preocupações de sustentabilidade”, finalizou Rands.

Todo esse debate entre os candidatos foi estimulado pelo envio de uma proposta do agronegócio. “Ela demandou o trabalho de sete dos mais renomados especialistas do setor e foi submetida ao crivo de 40 entidades de classe, de forma a contemplar todos os anseios”, explicou o ex-ministro Roberto Rodrigues, encarregado da coordenação do trabalho que, resumidamente engloba cinco princípios: desenvolvimento sustentável, competitividade, orientação para os mercados, segurança jurídica e governança institucional.

Além do debate com os candidatos, o Congresso da Abag teve ainda uma série de outras atividades. Tendo como tema principal Valorização e Protagonismo, o evento contou com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, além de várias autoridades federais e estaduais, assim como das principais lideranças do setor. O governador reafirmou, em seu discurso, o compromisso com o apoio e estímulo ao agronegócio. “Temos dedicado esforço e recursos para incentivar o setor, desde a área de pesquisa e desenvolvimento, passando pelos investimentos em modernização e ampliação da infraestrutura de logística e de transporte do Estado, assim como ao setor sucroenergético, que tem passado por sérias dificuldades, mas é de uma importância decisiva em termos sociais, ambientais e econômicos”, destacou.

PRIORIDADE MERECIDA – Em seu pronunciamento inicial, o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho salientou a necessidade de se fazer alterações na prioridade dada pelo governo federal ao agronegócio nos últimos anos. Segundo ele, a partir de 2007 começou a haver uma forte relação entre os preços do petróleo e dos alimentos. “O impacto em um gera, em cadeia, impactos significativos nos demais, forçando mudanças essenciais no Brasil, um país que tem no agronegócio as bases de seu desenvolvimento e que deverá ter neste setor uma plataforma de importância geopolítica global”, disse Carvalho. Para tanto, ele salienta que é necessário que seja dada a prioridade que o setor necessita e merece.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, que também participou da solenidade de abertura do evento, enfatizou os esforços da pasta para dar suporte ao produtor rural brasileiro. “Tanto no aumento da liberação de crédito a juros reduzidos, quanto no encaminhamento das questões ligadas a seguro rural e a modernização da infraestrutura, nós temos procurado alinhar as ações do ministério com as necessidades apontadas pelas diversas lideranças do setor”, afirmou Geller.

Após a abertura, o economista Samuel Pessoa fez a palestra no painel Agronegócio Brasileiro: Valorização e Protagonismo, na qual enfatizou que a urgência em termos de reforma no Brasil hoje é a de uma substancial alteração na área tributária que contemple uma redução dos custos das empresas com a adequação ao complexo sistema tributário. “Penso que, do ponto de vista econômico, uma diminuição nos custos da conformidade tributária teria o mesmo efeito positivo sobre a economia brasileira que teve o Plano Real sobre a inflação”, disse o economista. O painel foi coordenado pelo deputado federal Luis Carlos Heinze, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.

No painel seguinte, Agronegócios e as Novas Mídias, coordenado pelo jornalista Heródoto Barbeiro, o jornalista Rodrigo Mesquita fez um apanhado do papel que as formas de comunicação exercem no agronegócio. A seu ver, “se as lideranças do agronegócio não se colocar nas várias plataformas das novas mídias (Facebook, Twitter, Linkedin e outros) abrirá espaço para que os segmentos que são contrários à atividade agrícola ocupem o espaço, causando enormes prejuízos para o setor”, afirmou Mesquita. Participaram, como debatedores do painel, a professora Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade de São Paulo, e o engenheiro Demi Getschko, professor da PUC-SP e primeiro brasileiro a fazer parte do Hall da Fama da Internet.

PERFIL DE QUEM APOIA O SETOR – O Congresso da Abag também foi palco para a divulgação de uma pesquisa inédita, desenvolvida em conjunto com o Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM, e realizada pelo Instituto de Pesquisa IPESO. A pesquisa levantou a percepção da população urbana brasileira em relação ao perfil ideal de candidato à Presidência da República para o agronegócio. Um dos dados aponta que nada menos que 84,3{ec0f6be3f4eb9aebc678b268d76ff2b684d47c199a13d7ffde89554303e43cdc} dos entrevistados disseram que preferem um candidato que tenha uma política de apoio para a agricultura e a produção de alimentos. Além disso, para 81,8{ec0f6be3f4eb9aebc678b268d76ff2b684d47c199a13d7ffde89554303e43cdc} dos pesquisados, um presidente que não apoia a produção de alimentos, não se importa com a qualidade de vida das pessoas.

A pesquisa da ABAG/ESPM, que ouviu 600 pessoas de cinco capitais (Belém, Salvador, Goiânia, São Paulo e Porto Alegre), também apurou que nada menos do que 91,9{ec0f6be3f4eb9aebc678b268d76ff2b684d47c199a13d7ffde89554303e43cdc} dos entrevistados consideram que o agronegócio gera empregos também nas cidades, além dos postos de trabalho mantidos no campo. Outra constatação é a de que a grande maioria dos brasileiros que vive nesses centros urbanos compreende que as dificuldades enfrentadas pelos produtores também atrapalham suas vidas, principalmente na forma de aumentos dos preços dos alimentos. Isso fica claro, por exemplo, quando 86,4{ec0f6be3f4eb9aebc678b268d76ff2b684d47c199a13d7ffde89554303e43cdc} dos entrevistados concordam que o fato de o País ter estradas mal conservadas aumenta o custo dos alimentos. Um percentual semelhante, 86,3{ec0f6be3f4eb9aebc678b268d76ff2b684d47c199a13d7ffde89554303e43cdc}, entende que os portos brasileiros, antigos e mal gerenciados, igualmente prejudicam o agronegócio.

Durante o 13º Congresso da Abag foram entregues ainda os prêmios Norman Borlaug e Ney Bittencourt de Araújo. O primeiro foi concedido este ano ao presidente do Conselho da Agroceres, Urbano Campos Ribeiral; e o segundo para João Paulo Koslovski, presidente do Sistema Ocepar – 0rganização das Cooperativas do Paraná.