Geopolítica e tensões comerciais colocam o agro brasileiro no centro do debate internacional
15/06/26

O papel estratégico do Brasil na segurança alimentar, energética e climática global e os impactos das crescentes tensões internacionais para o agro estiveram no centro dos debates da primeira reunião do Comitê de Relações Internacionais da ABAG no biênio 2026–2027.
O encontro reuniu representantes de empresas associadas da entidade e especialistas para discutir os desdobramentos da investigação da Seção 301 conduzida pelos EUA e as perspectivas para a inserção do agro brasileiro em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.
A reunião contou com exposições do Embaixador Alexandre Parola, da diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Andrade e da diretora de Relações Internacionais Adjunta (CNA), Fernanda Carneiro, que trouxeram análises sobre as transformações no comércio global e seus efeitos para o setor.
O Embaixador Parola destacou que o Brasil precisa ampliar sua visão sobre o papel que desempenha na segurança alimentar e energética global. Segundo ele, a capacidade do país de abastecer mercados internacionais deve ser encarada não apenas como uma vantagem econômica, mas também como um ativo geopolítico relevante em um contexto marcado por disputas comerciais, conflitos e reconfiguração de cadeias de suprimentos.
“O Brasil não pode tratar sua oferta de alimentos e energia como um ativo simples, mas como um ativo geopolítico”
Parola também ressaltou que o agro brasileiro possui relevância econômica e estratégica crescente, mas que o setor ainda enfrenta o desafio de ampliar a compreensão da sociedade sobre sua contribuição para o desenvolvimento do país, a geração de riqueza e a projeção internacional do próprio Brasil.
Na sequência, Sueme Andrade apresentou os desdobramentos da investigação conduzida pelos EUA com base na Seção 301, que avalia práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Ela explicou que a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros ainda está em fase de consulta pública e que a análise considera fatores como a disponibilidade de fornecedores alternativos, riscos de desabastecimento, impactos sobre cadeias produtivas dos EUA e consequências econômicas mais amplas.
Durante a discussão, também foram abordadas as possíveis implicações para as cadeias agroexportadoras brasileiras e as estratégias que vêm sendo construídas pelo setor para demonstrar os impactos econômicos e logísticos de eventuais restrições comerciais. Entre as ações em andamento estão o fortalecimento do diálogo com importadores e distribuidores norte-americanos, a produção de evidências técnicas sobre rastreabilidade e sustentabilidade das cadeias produtivas e a participação ativa de empresas e entidades setoriais brasileiras na construção das defesas técnicas e econômicas para os diversos produtos nos mecanismos de consulta pública em curso.
O debate reforçou a importância de acompanhar as transformações no ambiente internacional e de fortalecer o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, energia e soluções sustentáveis para o mercado global
O Comitê de Relações Internacionais da ABAG reúne empresas e entidades associadas para acompanhar negociações comerciais, acordos, diplomacia e temas geopolíticos que influenciam o Brasil e o agronegócio. Tem como presidente Caio Carvalho (vice-presidente da ABAG), Augusto Moraes (Corteva) na vice-presidência e Roberto Araújo (ABAG) na coordenação.