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A manutenção do agronegócio como um dos líderes mundiais na produção de alimentos, energia e fibras depende de planejamento sofisticado e tecnologia que permitam a plena integração do setor com ações de sustentabilidade. Esta deverá ser uma das análises a ser feita pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antônio Lopes, durante palestra inaugural no 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, a ser promovido pela Abag, cujo tema central será “Sustentar é Integrar”. O evento acontece no próximo dia 3 de agosto, no WTC Sheraton São Paulo Hotel, em São Paulo.

“De conceito vago, a sustentabilidade tornou-se um imperativo para o sucesso dos nossos produtores, das nossas empresas e, concomitantemente, do agronegócio”, afirma Lopes. A seu ver, o agronegócio brasileiro já iniciou há algum tempo suas ações em prol da sustentabilidade. “O Brasil já lidera um grande esforço de geração e uso de tecnologias poupa-recursos, de baixa emissão de carbono, capaz de promover a expansão sustentável do agronegócio, baseada em ganhos na produtividade da terra em sintonia com o novo Código Florestal”, avalia. Para ele, iniciativas como o Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, a integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), o sistema de plantio direto (SPD), e a fixação biológica de nitrogênio (FBN) são de grande relevância para o desenvolvimento de uma agropecuária mais competitiva e sustentável.

Após a fala do presidente da Embrapa, no Painel 1, denominado “Agronegócio Brasileiro, Produção 365 dias”, o consultor Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, um dos mais conceituados analistas da área, fará uma apresentação mostrando os desafios de o país continuar com sua estratégia bem-sucedida de colher até três safras por ano. Ele terá como debatedor, o presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann; e como moderador o presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Luiz Lourenço.

Antes do intervalo, os organizadores prestam homenagem especial a Moacyr Corsi, professor titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq – USP), que receberá o Prêmio Norman Borlaug. Também será homenageado, com o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo, Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras.

Na parte da tarde, no Painel 2, que abordará o tema “Grãos, Proteína Animal, Floresta Plantada e Palma, o ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Francisco Turra, destacará que a prioridade do Brasil é manter a competitividade do setor. “O Brasil está enfrentando um momento complexo, onde diversos setores estão impactados com o retrocesso no ritmo de produção e vendas. Com tudo isso, manter a competitividade do agronegócio deve ser a prioridade do país”, diz. “Mesmo neste período de incertezas, todos os investimentos, as pesquisas científicas, os ganhos em produtividade, entre outros fatores, contribuíram para o protagonismo do agronegócio brasileiro, que precisa sustentar este papel de destaque”, enfatiza Turra.

Além de abordar essa questão, Turra também destaca o momento de crescimento vivido pela proteína animal do Brasil, diante do cenário sanitário internacional, com focos de enfermidades em países exportadores que competem com o Brasil. Além de Turra, participarão do painel a presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), Elizabeth Carvalhaes, o presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da ABIMAQ, Pedro Bastos de Oliveira, o diretor-geral da Agroícone, Rodrigo C.A. Lima, e o presidente da ADM na América do Sul, Valmor Schaffer. O painel será moderado pelo diretor do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho.

Na sequência, no Painel 3, que terá como tema “Alimento e Energia”, um dos participantes, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo enfatizará que a indústria química representa uma grande oportunidade de agregação de valor ao agronegócio brasileiro. “O setor químico agrega valor ao agronegócio reduzindo custos e aumentando a produtividade”, afirma. Além disso, de acordo com o Estudo do Potencial de Diversificação da Indústria Química, encomendado pela Abiquim, o setor químico pode trazer diversos benefícios ao agronegócio, como o combate a novas pragas, a redução do preço dos defensivos agrícolas e a potencialização de fertilizantes.

Além de Figueiredo, participarão do Painel 3 o diretor e fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires; o presidente da Aprosoja Brasil, Almir Dalpasquale; o diretor de relações institucionais da Dow Brasil, Eduardo Bastos; e o presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Luís Roberto Pogetti. Segundo Dalpasquale, a temática do painel é de grande importância e a agropecuária brasileira está intimamente conectada com a produção de energia. O painel será moderado pelo jornalista William Waack.

No último painel, que abordará o tema “Segurança Alimentar e Renda”, um dos participantes será o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues que pretende enfatizar que o mundo produz alimentos suficientes para abastecer a humanidade inteira, o que existe é muito desperdício e falta de renda suficiente para que todos possam comprar o alimento necessário. “Dessa forma, o tema segurança alimentar estaria resolvido do ponto de vista da oferta, mas não está resolvido no ponto de vista da demanda, por falta de renda adequada a todos e por conta de perdas da produção”, observou.

Segundo Rodrigues, para resolver esta questão é necessário que os mecanismos de distribuição sejam mais fortes, abrangentes e que reduzam o custo final dos produtos. Além disso, o ex-ministro afirmou que todos os países devem criar programas que visem à elevação de renda da população, seja através da geração de empregos ou em programas sociais. Para outro participantes do Painel 4, o deputado federal Marcos Montes, presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, o Brasil venceu o desafio da produção e se tornou um dos maiores exportadores do mundo, mas ainda convive com situações localizadas de fome e pobreza. “Nos últimos anos ocorreram avanços significativos nos marcos legais e, com isso, foi possível dar mais atenção às questões da pobreza e fome”, avalia Montes.

Além de Roberto Rodrigues e Marcos Montes, participarão do Painel 4 o sócio-diretor do Grupo Agroconsult, André Pessôa; o diretor-geral da Syngenta, Laércio Giampani; e o sócio do Demarest Advogados, Renato Buranello. O Painel 4 também será moderado pelo jornalista William Waack.

O 14º Congresso da Abag será encerrado com um pronunciamento do presidente da entidade, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

FÓRUM – No dia seguinte ao Congresso da Abag, será promovido o Fórum Abag. Na parte da manhã, quando se discutirá o tema Alimentos, teremos as participações do representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic; Luis Madi, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); Rodrigo Santos, presidente da Monsanto do Brasil; e Sérgio Alexandre, sócio da PwC. As apresentações serão coordenadas por Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).

Na parte da tarde, quando o tema discutido será Logística, participarão: Afonso Mamede, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema); Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé); Cleiton Vargas, diretor comercial da Yara Brasil Fertilizantes; e João Cesar Rando, presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). As apresentações terão como coordenador Renato Pavan, diretor-presidente da Macrologística Consultoria e presidente do Comitê de Logística da Abag.