Brasil tem potencial de se tornar o 2º ou 3º maior mercado de fertilizantes do mundo
10/06/26

A primeira reunião do Comitê de Insumos Agropecuários da ABAG para o biênio 2026–2027 reuniu representantes das associadas, especialistas e lideranças do setor para discutir temas estratégicos relacionados à cadeia de insumos no Brasil.
Em pauta, o mercado de fertilizantes, a segurança do abastecimento e o panorama geopolítico que impacta o agro brasileiro.
Os participantes discutiram o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) sob a perspectiva da segurança alimentar e da soberania estratégica do Brasil, além de analisar iniciativas do governo federal diante do atual momento.
José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos, destacou que o consumo de fertilizantes no país deverá crescer significativamente nas próximas décadas, passando de 49,1 milhões de toneladas em 2025 para 56 Mt/ano em 2030 e mais de 77 Mt/ano em 2050. Diante desse cenário, uma das metas do PNF é reduzir a dependência externa de fertilizantes e matérias-primas dos atuais 85% para cerca de 40% a 50% até 2050.
Para ele, a logística continuará sendo um dos principais desafios, mesmo com o abastecimento internacional assegurado. Nesse contexto, o Brasil caminha para se tornar o segundo ou terceiro maior mercado de fertilizantes do mundo até 2035.
Polidoro também destacou que o crescimento da demanda deverá ser impulsionado pelos fertilizantes biológicos, insumos verdes e produtos de alta eficiência agronômica adaptados aos ambientes tropicais, área em que o Brasil possui vantagens competitivas.
“O país possui um plano de ação concreto para se tornar líder mundial na nova indústria de fertilizantes até 2030, além de um ecossistema de inovação vibrante e um planejamento estratégico de longo prazo que conferem robustez ao desenvolvimento do setor.”
De acordo com o pesquisador, o avanço dessa agenda pode gerar empregos ao longo da cadeia de infraestrutura e distribuição, além de ampliar a segurança e a previsibilidade do abastecimento para a produção agropecuária brasileira.
Leonardo Durans, diretor de Desenvolvimento da Indústria de Insumos e Materiais Intermediários do MDIC, ressaltou que a demanda global por fertilizantes de menor pegada de carbono abre oportunidades para o Brasil exercer protagonismo nesse mercado.
“Oferecemos porto seguro para investimento internacional de longo prazo, área livre de conflitos, com forte tradição diplomática. O momento de tensão é uma oportunidade de desenvolver cadeias produtivas”, afirmou.
Na reunião também foram apresentadas atualizações sobre o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CONFERT), órgão responsável pelo acompanhamento do PNF. Ana Caroline Suzuki Bellucci, coordenadora-geral do Complexo Químico e Petroquímico do MDIC, informou que o colegiado já realizou cinco reuniões ordinárias e destacou sua composição, que reúne representantes do setor público e privado.
As apresentações também evidenciaram que, embora o Brasil disponha de um plano estruturado e de oportunidades concretas para fortalecer sua produção nacional de fertilizantes, desafios relacionados à macroeconomia, à previsibilidade regulatória, ao licenciamento ambiental, à segurança jurídica, à infraestrutura e à mobilização dos investimentos necessários reforçam a complexidade da execução do PNF e de suas metas de longo prazo.
O Comitê de Insumos Agropecuários da ABAG tem como objetivo acompanhar e contribuir com políticas públicas relacionadas à cadeia de insumos, com foco na biocompetitividade, na segurança do abastecimento e na sustentabilidade do agro brasileiro. É presidido por Francila Calica (Bayer), tem Paulo Tiburcio (Andav) como vice-presidente e coordenação de Roberto Araújo (ABAG).