Com COP31 no horizonte, agro brasileiro avança na construção de agenda climática
16/06/26
A menos de cinco meses da COP31, prevista para novembro, na Turquia, o Comitê de Biocompetitividade e Sustentabilidade da ABAG se reuniu para definir as prioridades do biênio 2026-2027 e avançar na construção de um instrumento que fortaleça o Brasil como referência mundial em descarbonização da agricultura e da pecuária.
Durante a reunião, o presidente do Comitê, Eduardo Bastos (CEO do Instituto Equilíbrio), que também preside a Câmara Temática de Agrocarbono Sustentável, do Ministério da Agricultura, como representante da ABAG, apresentou o panorama dos acordos climáticos internacionais e reforçou a urgência de o setor privado se organizar antes dos grandes eventos do segundo semestre, a COP31 e a London Climate Action Week, de 20 a 28 de junho, em Londres.
Duas agendas foram apontadas como centrais para o período. A primeira é a tropicalização da narrativa climática global. “O mundo tem que entender que o Brasil é diferente e tem que ser tratado diferente”, afirmou Bastos. Segundo ele, enquanto países do hemisfério norte baseiam suas estratégias de mitigação em florestas temperadas e matrizes energéticas distintas, o Brasil opera com um bioma tropical único, uma agropecuária de alta produtividade e um potencial de sequestro de carbono no solo que não encontra paralelo em nenhuma outra nação.
A segunda agenda é o financiamento em escala. De acordo com Bastos, o país entrou em uma nova fase nas negociações de recursos climáticos e isso traz responsabilidades concretas. “Lutamos para ter dinheiro, agora temos que fazer nossa parte”, disse, referindo-se à necessidade de estruturar projetos que absorvam os recursos já disponíveis, seja via mercado de carbono, leilões de créditos ou fundos internacionais.

Os números apresentados durante a reunião reforçam o argumento. Um estudo recente com uso de inteligência artificial apontou que a adoção em escala de sistemas integrados, plantio direto e recuperação de áreas degradadas teria capacidade de sequestrar mais de seis vezes o total das emissões brasileiras. O Brasil também integra o programa global Raiz, conhecido no país como Caminho Verde, que tem como meta restaurar 250 milhões de hectares no mundo, dos quais 40 milhões no território nacional, com investimentos previstos de US$ 60 bilhões.
O comitê deve entregar, até a COP31, um documento de posicionamento setorial que consolide as contribuições do agronegócio brasileiro à agenda climática internacional.
Além de Eduardo Bastos, o Comitê de Biocompetitividade e Sustentabilidade da ABAG, tem como vice-presidentes Álvaro Dilli (SLC Agrícola) e Felipe Teixeira (Syngenta) e Roberto Araújo (ABAG) na coordenação.