Conectividade impulsiona desenvolvimento do agro brasileiro

14/10/26

A transformação do agro brasileiro sempre esteve ligada à incorporação de novas tecnologias. Hoje, a conectividade ganha espaço nesse processo ao permitir que máquinas, sensores, plataformas e equipes compartilhem informações em tempo real, criando novas possibilidades para uma agricultura cada vez mais orientada por dados.

Os avanços recentes mostram que essa infraestrutura está chegando a uma parcela maior das áreas produtivas. O último Indicador de Conectividade Rural, da ConectarAGRO, apontou que a cobertura das redes móveis 4G e 5G nas áreas agrícolas brasileiras passou de 18,7% para 33,9% entre 2024 e 2025.

Para João Comério, da Innovatech, esse avanço tem impacto direto sobre a competitividade do setor. “A conectividade deixou de ser apenas uma infraestrutura de telecomunicações para se tornar um insumo estratégico do agronegócio moderno. Nos próximos anos, sua expansão terá um papel decisivo para elevar a competitividade do Brasil como potência agroambiental global”.

Da cobertura à transformação

Agricultura de precisão, inteligência artificial, automação e análise de dados estão entre as tecnologias que ganham novas possibilidades com o incremento da conectividade. Seus efeitos já podem ser observados em projetos que aproximam infraestrutura digital e produção agrícola.

O Programa Alô Minas III, realizado em parceria entre CNH, TIM e Governo de Minas Gerais, prevê a implantação de 97 novas torres e deve beneficiar cerca de 1,5 milhão de hectares, 11 mil propriedades rurais e mais de 200 mil pessoas. A cobertura também deve alcançar 47 escolas rurais e 11 unidades básicas de saúde.

Segundo Paola Campiello, gerente de Novos Negócios, Conectividade e Tecnologias Digitais da CNH, a comunicação em tempo real entre máquinas, equipamentos e plataformas torna as operações mais precisas. “O produtor ganha previsibilidade, eficiência operacional e agilidade na tomada de decisão, utilizando melhor os recursos disponíveis, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade de forma sustentável.”

Na Fazenda Conectada Case IH, em Água Boa, Mato Grosso, a última safra registrou produtividade média de 75 sacas por hectare, resultado 19% superior à média da região. A gestão em tempo real da frota e o uso de tecnologias também contribuíram para uma redução de 23,6% das toneladas de CO₂ emitidas por saca de soja.

Tecnologia conectada, conhecimento aplicado

A conectividade também permite integrar sensores, IA, robótica e plataformas de dados às atividades agrícolas. Uma dessas aplicações é o See & Spray™, da John Deere, que utiliza visão computacional e aprendizado de máquina para identificar plantas daninhas em tempo real e direcionar defensivos somente onde necessário. Segundo a companhia, a tecnologia proporciona economia média de 56% no uso desses produtos, podendo chegar a 93%.

Para Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos, Comunicações e Cidadania para a América Latina na John Deere, essa integração colaborou para transformar informações em ações mais acertadas. “Ao melhorar o aproveitamento dos recursos e ampliar a rastreabilidade, ela ajuda a preparar o agronegócio brasileiro para responder às demandas da sociedade e dos mercados globais por produtividade, eficiência e sustentabilidade”.

A incorporação das tecnologias depende também de profissionais preparados para utilizá-las.

Para Daniela Teixeira, diretora de Relações Governamentais para a América Latina da AGCO, “a capacitação dos produtores, operadores e técnicos é um fator essencial para acelerar a transformação digital, garantindo que as tecnologias disponíveis sejam utilizadas em todo o seu potencial”.

Um campo mais conectado

Os desafios de cobertura permanecem relevantes em um país com as dimensões do Brasil e alcançam também corredores importantes para o escoamento da produção. Dados apresentados pela Vivo apontam que 54% da extensão das rodovias federais e 51% das estaduais possuem cobertura móvel 4G. Estradas conectadas favorecem o rastreamento de cargas, a otimização de rotas e podem contribuir para a expansão da cobertura em propriedades e comunidades próximas.

Para Carla Nicolau, gerente Institucional de Novos Negócios e Diretoria Institucional da Vivo, a conectividade também fortalece a integração entre fornecedores de insumos, produtores, cooperativas, agroindústrias, operadores logísticos e exportadores. “Em um setor exposto a fatores como clima, logística, oscilações de preços e exigências regulatórias, a capacidade de obter e compartilhar dados em tempo real passa a ser um diferencial competitivo”.

A expansão das redes produz ainda efeitos para quem vive no campo, ao ampliar o acesso à educação, saúde, capacitação e serviços digitais. Para o agronegócio, também abre possibilidades para rastreabilidade, acompanhamento das operações e geração de informações sobre práticas sustentáveis, diante de mercados que demandam maior transparência sobre a origem e a produção dos alimentos.

Indústria a céu aberto

Na visão do presidente da Abag, Ingo Plöger, o agro é um setor extremamente inovador e que emprega muita tecnologia e conhecimento em todas as etapas produtivas, por isso a conectividade precisa avançar cada vez mais e deixar de ser um gargalo.

“A agricultura tropical brasileira desenvolveu uma lógica de produção que aproxima o campo da dinâmica industrial. E essa verdadeira indústria a céu aberto depende muito da conectividade para obter seu pleno funcionamento”.

De fato, à medida que as redes digitais avançam pelas áreas rurais, cresce a capacidade de integrar conhecimento, tecnologia e produção. Isso fortalece as condições para um agro mais eficiente, sustentável e competitivo e prepara o setor para os próximos ciclos de inovação.

Fontes de Pesquisa:
Forbes Agro
Vivo
CNH